Direção Espiritual

A doutrina da Igreja nos ensina que "o homem é criado por Deus e para Deus". Todavia, no decorrer de sua vida terrena, muitos ficam ao longo do caminho porque perdem justamente o foco sobre a própria finalidade, esquecendo-se de que foram feitos por e para Deus.

Contudo, não é fácil entender que precisamos dar mais a Deus; que não basta apenas deixar de lado os grandes pecados; que é preciso tudo dar, "aimer c´est tout donner", como ensina Santa Teresinha do Menino Jesus, por isso é necessário a mão firme de um guia que aponte o caminho ou que ilumine o caminho.

Auxiliados pelos grandes santos da Igreja que durante suas vidas nesta terra trilharam esse mesmo percurso, ajudados ainda pela Virgem Santíssima e Nosso Senhor Jesus Cristo, reside nos sacerdotes a missão de dirigir o fiel, lapidando-o para que se configure cada vez mais à face do Salvador para assim, um dia, poder contemplar o sol do Amor.

 

É interessante lembrar que a Igreja sempre tem recomendado a direção espiritual a todos os que desejam amadurecer seriamente na vida cristã; de forma análoga a como um cardíaco procura a orientação de um cardiologista, e um jogador de futebol, de basquete ou de tênis tem um coach, um técnico- individual ou do time- que os prepara e os orienta. Ninguém é bom técnico de si mesmo.

 

São Josemaría Escrivá fala disso com uma imagem simples: “Convém que conheças esta doutrina segura: o espírito próprio é mau conselheiro, mau piloto, para dirigir a alma nas borrascas e tempestades, por entre os escolhos da vida interior. Por isso, é vontade de Deus que a direção da nau esteja entregue a um Mestre, para que, com a sua luz e conhecimento, nos conduza a porto seguro”

O bom diretor espiritual deve ser um reflexo desse Bom Pastor, que é Jesus. Por isso, é importante pedir luzes ao Espírito Santo para escolher bem o diretor: sempre com plena liberdade, mas com o desejo sincero de avançar espiritualmente. Não adianta escolher um diretor espiritual que seja apenas um padre “amigão” para bater de vez em quando um papo superficial. E, menos ainda, procurar um confessor ou diretor que se limite a “compreender-nos” (Ou seja, a desculpar-nos em tudo!) e que não nos fale com clareza das nossas falhas, nem nos ajude, com afeto e firmeza, a lutar e a retificar os erros.

Para ter uma direção espiritual eficaz é importante que, depois de ter escolhido conscientemente um diretor, sejamos perseverantes e combinemos com ele conversas periódicas, por exemplo, mensais (não mais do que isso). Não se pode chamar de direção espiritual o fato de ter um padre de confiança com quem se conversa só duas vezes por ano, ou com quem se consulta apenas por alguma questão isolada.

Dizia que a escolha do orientador espiritual deve ser livre. Também deve ser livre a nossa decisão de praticar os conselhos que nos sugere. Mas a liberdade exige pensar e decidir responsavelmente. Peça, por isso, ao Espírito Santo o verdadeiro Diretor divino das nossas almas, que lhe conceda o dom de entendimento, para compreender o que Ele lhe quer dizer através do diretor espiritual, e o dom de fortaleza, para esforçar-se em cumpri-lo.

Quem pode ser diretor espiritual?

Não é necessário que seja somente um sacerdote para dirigi-la espiritualmente. Pode também ser um religioso, um monge, um consagrado e até mesmo um leigo. No entanto, é preciso que haja clareza e preparo nessa questão, além de outros requisitos.

São Francisco de Sales afirma que existem três qualidades fundamentais para o diretor espiritual: a caridade, a ciência e a prudência. A caridade consiste em dispensar tempo para atender a pessoa que precisa de direção. Ciência, porque requer conhecimento espiritual, estudo sobre a vida dos santos e sobre as realidades da alma, justamente para conseguir identificar as questões íntimas que a pessoa vive e discernir qual caminho ela deve seguir. A prudência também é necessária nesse caso, a fim de que a direção espiritual não se torne um “mero trato de dois amigos” que partilham algo.

Dirigir alguém espiritualmente não é simplesmente fazer uma partilha da alma, mas um momento no qual eu “abro” a minha alma para me deixar conduzir. Muitas vezes, essa condução não será de acordo com as nossa vontade. O diretor espiritual precisa ter o cuidado de não atrair a pessoa para si, ou seja, passar a ser referência na vida dela. Pelo contrário, ele precisa fazer a pessoa crescer em Jesus Cristo com elementos para que possa discernir a própria vida. O diretor espiritual não deve “decidir” a vida da pessoa, mas conceder esses elementos para que ela possa tomar suas próprias decisões.

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