"Óh Chama Viva de Amor"

  João de Yepes hoje conhecido como São João da Cruz, descobriu sua vocação sacerdotal no zelo com o altar do Senhor e a dedicação com que desempenhava a função de acólito na igreja das monjas agostinianas em Medina.

Quando decidiu se tornar sacerdote Dom Alonso Álvares de Toledo, ofereceu-lhe o cargo de capelão do Hospital de Las Bubas, no qual, já servia como enfermeiro, porém o jovem tinha o desejo de viver uma vida contemplativa em um convento. Sendo assim ele apresentou-se ao convento do Carmo em 1563 e adotou o nome de Frei João de São Matias. 

  Aos 25 anos ele foi ordenado sacerdote na Ordem dos Carmelitas. Recém ordenado, João começou a enfrentar represálias por parte dos seus irmãos de comunidade, que começaram a sentir inveja e acusá-lo de fanatismo por ele querer viver a essência de fundação da ordem dos carmelitas, que pregava o total desprendimento para viver uma perfeita união com Deus. Por essas dificuldades ele cogitou sair do Carmelo e ir para a ordem dos cartuxos para viver como um monge. Antes que ele o fizesse encontrou-se com Madre Teresa de Jesus, hoje conhecida como Santa Teresa de Ávila. 

  Santa Teresa estava promovendo uma reforma descalça iniciada por São Pedro de Alcântara, nos conventos femininos carmelitas e pedia a Deus que enviasse alguém para que pudesse fazê-la nos conventos masculinos e Frei João de São Matias foi o enviado por Deus para essa missão. A Reforma consistia, em reconduzir os irmãos da ordem aos ideais que originalmente animaram a fundação dos carmelitas. João aceitou a proposta de Madre Teresa e a partir dali, as perseguições se multiplicaram e entendendo o desejo do seu coração de unir-se aos sofrimentos de nosso senhor, passou a chamar-se Frei João da Cruz. Os conventos fundados por Madre Teresa de Jesus e São João da Cruz adotaram o nome de Ordem dos Carmelitas Descalços.

  Outros freis começaram a aderir aos ideais da reforma proposta e isso gerou grande divisão dentro da ordem. Ele chegou a ficar preso nove meses dentro de uma torre num convento em Toledo, lá foi torturado, humilhado e tentado de inúmeras formas dentro cárcere escreveu belíssimos poemas que compõem a sua vasta obra espiritual. 

São João é o Místico do nada e do tudo: “Deixar tudo, pelo tudo”, “Negue os teus desejos e encontrará o que o seu coração deseja”. O auto esvaziamento, o desapego, assumir o nosso nada, para que Deus nos preencha com o seu tudo é a base da doutrina do santo. 


Poesia de São João da Cruz em momento de grande tribulação e aridez Espiritual:

Chama Viva de Amor

“Oh! Chama de amor viva
que ternamente feres
De minha alma no mais profundo centro!
Pois não és mais esquiva,
Acaba já, se queres,
Ah! Rompe a tela deste doce encontro.

Oh! Cautério suave!
Oh! Regalada chaga!
Oh! Branda mão! Oh! Toque delicado
Que a vida eterna sabe,
E paga toda dívida!
Matando, a morte em vida me hás trocado.

Oh! Lâmpadas de fogo
Em cujos resplendores
As profundas cavernas do sentido,
– que estava escuro e cego, –
Com estranhos primores
Calor e luz dão junto a seu Querido!

Oh! Quão manso e amoroso
Despertas em meu seio
Onde tu só secretamente moras:
Nesse aspirar gostoso,
De bens e glória cheio,
Quão delicadamente me enamoras!”

 


Fontes:

https://santo.cancaonova.com/santo/sao-joao-da-cruz-conhecido-como-doutor-mistico/

https://formacao.cancaonova.com/diversos/biografia-de-sao-joao-da-cruz/

https://padrepauloricardo.org/episodios/a-vida-de-sao-joao-da-cruz

http://cruzterrasanta.com.br/historia-de-sao-joao-da-cruz/264/102/

https://pantokrator.org.br/po/artigos-pantokrator/sao-joao-da-cruz-historia-de-uma-vida-santa

https://www.google.com/amp/s/tarcisiosilva680.wordpress.com/2015/06/07/chama-viva-de-amor-poesia-sao-joao-da-cruz/amp/

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